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Resenha: Hikari no Machi - Questões Relativas Sobre a Vida



Hello pessoas, como estão? Espero que estejam bem. É a menina Bruna falando do lado de cá e hoje irei tratar de um mangá que me deixou altamente animada, mas conforme fui lendo minha animação se transformou em uma mistura de sentimentos que não vou conseguir explicar por ser algo muito abstrato, mais do que outras coisas. entendem?

Quando achei Hikari no Machi, a princípio pensei que iria ser uma narrativa maluca com reflexões sobre suicídio fazendo metáforas com a Cidade de Luz, mas enquanto folheava (~lê-se arrastava o dedo na tela para passar os capítulos~) vi que a proposta do mangaká era muito diferente daquilo que havia imaginado. Existiam muitas entrelinhas sobre ele, o autor, misturado com concepções comuns que ninguém reflete realmente. Asano Inio traz para o leitor questões extremamente relativas, no qual podem fazer você dizer o que está certo ou errado de acordo com suas convicções.

Asano não dá de bandeja para os interessados em sua obra uma direção das atitudes dos personagens serem corretas ou não, ele permite que você, através da sua vivência e crenças, norteie a narrativa sem esquecer de observar os motivos que levaram a todas aquelas ações. Isso foi algo que me deixou sem palavras, pois em um determinado momento simpatizei com um personagem que seria julgado como vilão por algumas condutas, mas se eu fosse ele faria o mesmo. Na minha cabeça algumas concepções deste personagem foram erradas, porém queria abraçá-lo depois que notei seus motivos.

O mangaká trabalha muito essas questões de vilão e mocinho, correto e incorreto, felicidade e tristeza; esta última está ligada inteiramente à cidade e seus habitantes, pois todos a chamam de Cidade de Luz por ter sido construída no alto de uma montanha e assim recebendo uma quantidade significativa de luz solar. Porém, apesar disso, ela traz uma boa dose de moradores melancólicos, sufocados, tristes, confusos e muito, mas muito temerosos quanto ao futuro.

Essa metáfora entre esta cidade, as pessoas que vivem nela e seus sentimentos, é uma das coisas mais incríveis deste mangá, pois ao todo são 5 histórias diferentes, de personagens distintos com uma ligação direta e indireta. A construção de cada um vai mexendo com o leitor e ele se vê perdido na Cidade da Luz, em como podem existir tantos sentimentos conflitantes e semelhantes em um único lugar. Por meio deste pensamento conseguimos fazer uma ponte com a vida real, na qual há centenas de pessoas em um lugar com pensamentos convergentes e divergentes; elas podem não se conhecer, mas existe um elo que as liga de alguma forma.

Hikari no Machi fala sobre alguns jovens habitantes da Cidade de Luz, apresenta suas histórias e nos mostra a forma como eles tentam sobreviver ao cotidiano. Cada um deles têm experiências boas e ruins, com sonhos distantes que desejariam realizar ou apenas mantê-los na mente até terem coragem de crescer para viver como um adulto deveria. Esses jovens são cheios de intenções, algumas delas não são boas – apesar disso ser algo relativo; suas atitudes refletem um grito alto por ajuda esperando que alguém lhes escute e abrace suas causas mesmo se elas não existirem realmente.





Não vou falar sobre cada uma das histórias, pois isto aqui ficaria enorme e vocês cansariam antes de chegarem ao final, porém irei comentar de forma geral e tentar fazê-los se interessarem. A primeira coisa que precisam fazer para ler Hikari no Machi é manter a mente LIMPA, NÃO PENSAR EM COISAS ALEATÓRIAS e SE CONCENTRAR ACIMA DE TUDO, falo isso por ter percebido alguns tons mais pesados nas entrelinhas dos pensamentos e diálogos dos personagens e, para evitar confusões ou estresse, indico o mangá para noites em claro e finais de tarde tranquilos.

Se mantenham longe da agitação para poderem compreender os recados do Inio, ele foi muito inteligente ao encaixar a história de cada jovem umas nas outras, o mangaká trouxe narrativas muito palpáveis, pois os pensamentos deles faziam muito sentido com as pessoas que estão no mundo real, por assim dizer. Quando Asano apresenta o sentimento temeroso da transição da fase jovem para adulta, nós sentimos isso na pele por ser algo que muitas pessoas passam; esse medo não é uma coisa babaca, é um assunto sério e ele transmite muito bem isso.

Outro ponto muito bem colocado pelo autor é o incrível contraste dos personagens e suas ações com a áurea brilhante da cidade, alguns parecem estar muito felizes, mas quando nos é apresentado sua mente notamos que o buraco é mais embaixo e que todos aqueles sorrisos misturados com a luz do sol são na verdade maneiras deles pedirem ajuda. Ninguém nota nada quando vê pessoas felizes, para o mundo elas são radiantes e não passam por coisas ruins, porém este contraste que Asano criou é muito desconfortante e nos faz pensar sobre muitas coisas.

Uma característica bem legal desta narrativa é sobre como alguns personagens refletem de uma maneira velada algumas ações que estamos cansados de ver, a famosa: “Minha dor é maior que a sua”. Não é de hoje que nos deparamos com pessoas competindo para ver quem têm a pior vida, qual dor é a maior e quem sofreu mais; na primeira história, principalmente, isto fica muito claro com um dos amigos do protagonista, que diz que pelo fato dele conseguir viver como sendo um mangaká tem uma vida melhor que a sua, que ele, Notsu, não compreende o que é ser um fracassado e não conseguir encontrar um rumo para seguir.

Estou comentando este ponto por conta dele ter me tocado profundamente, acredito que não nos damos conta de quantas vezes subestimamos e superestimamos as pessoas ao nosso redor, cada pessoa carrega um fardo e aquilo que parece pequeno para você pode ser muito grande para o outro. O vício da comparação recai sobre todos, mas existem alguns que se excedem e isto só causa mais dor de cabeça e um sentimento ruim.


Hikari no Machi foi lançado aqui no Brasil pela editora Panini, mas existem sites nos quais ele está disponibilizado também, por isso não deixem de lê-lo e não se segurem tanto em convicções para não perderem algumas características dos protagonistas de cada história. 

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