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Indicação: Koimonogatari - Em tempos de diversidade, BL tem seu lugar



Hello pessoas, como estão? Espero que estejam bem. Novamente eu, Bruna, estou aqui para falar sobre um mangá que, além de encher meu coração, me fez refletir sobre alguns assuntos bem atuais e desejar por mais plots construídos com cuidado e sem superficialidade. Desta vez não será uma resenha, mas sim uma indicação muito válida para aqueles que gostam de histórias significativas. Vou tentar medir as palavras para não soltar muitos spoilers e fazê-los entender o motivo deste mangá ter me conquistado com poucos capítulos.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que PRECISAMOS FALAR SOBRE KOIMONOGATARI pelo simples fato de abordar com propriedade a questão da identidade e do medo de assumi-la. Não é novidade para ninguém que o mundo está num processo de transição e aceitação da diversidade em todas as vertentes possíveis. Quando li este mangá eu fiquei eufórica por ele conseguir trazer algumas coisas à tona sem deixar a história com um clima pesado; a personalidade dos personagens é realmente boa e convergem muito bem com os assuntos que a autora, Tagura Tohru, decidiu abordar.




O mangá shounen-ai conta a história de Yuiji Hasegawa, um estudante que descobriu acidentalmente a orientação sexual de seu colega de classe, Yamato Yoshinaga; eles não eram próximos no início e Yuiji se sentia incomodado com os olhares do outro para com seu melhor amigo. Mesmo isto não sendo de sua conta, o garoto não parava de pensar sobre o assunto e por meio de um grupo de estudos, eles, Yuiji e Yamato, acabam tendo sua primeira interação e as primeiras impressões ficam para trás. Hasegawa vê que Yoshinaga é um “cara legal” e, mesmo sabendo do seu segredo e repetindo várias vezes que os assuntos do rapaz não tem nada a ver com ele, acaba se colocando à disposição para ouvi-lo quando as coisas estiverem ruins e torcendo para sua felicidade.

Existem inúmeros mangás do gênero BL (boys love) por aí e vocês podem se divertir bastante com algumas histórias, mas gostaria que quando lessem Koimonogatari se atentassem para a forma como ele foi feito para não atropelar o desenvolvimento particular de cada personagem. Tagura teve o cuidado de fazer protagonistas independentes e com vidas próprias que não dependessem exclusivamente do outro para crescer dentro da narrativa. O fato é que a autora nos mostra como as primeiras impressões não são aquelas que ficam, assim como apresenta a dificuldade enorme de uma pessoa para assumir seus gostos com medo de perder tudo aquilo que a faz feliz.

A história não começa com Yuiji e Yamato tendo um relacionamento ou gostando um do outro logo de cara; quando Hasegawa descobre que Yoshinaga é gay, ele tem o típico pensamento de muitas pessoas “eu não tenho preconceito, mas se ele der em cima de mim vou bater nele”, a partir disso coisas que passavam despercebidas agora incomodam sem nenhum motivo aparente, aquilo que você considera diferente irrita mesmo não interagindo com a sua vida diretamente.




Yuiji Hasegawa é um rapaz, à primeira vista, simples e com um bom relacionamento com os amigos e a namorada, porém, conforme vamos o conhecendo, vemos que o buraco é mais embaixo e nem tudo é inteiramente claro na mente dele. Em um determinado momento, o garoto se mostra incomodado e curioso com relação ao “modo de amor entre gays”, ele faz algumas pesquisas para sanar suas dúvidas e, apesar de encontrar discussões desagradáveis e encantadoras, percebe que mesmo aqueles que passaram por momentos difíceis ficam felizes apenas por terem pessoas que os entendam.

Isso é algo que está presente em nosso dia a dia, a autora trouxe um fato real para o mangá e isto foi uma das coisas que mais me agradou ao conhecer o Yuiji. Outro ponto legal desse personagem são os pensamentos dele referente a si próprio; depois de se tornar um amigo-confidente de Yamato o garoto nota que aquela áurea de pessoas apaixonadas, entusiasmadas e persistentes não existe nele, tudo aquilo que faz por seus amigos e principalmente para a sua namorada são coisas da qual precisa fazer e não por querer realmente.

Quantas e quantas vezes tomamos algumas atitudes por precisarmos e não por querermos fazê-las? Esta questão é levantada de uma maneira velada no mangá, algo que não surge do nada e sim é trabalhada conforme Yuiji percebe suas ações e entende que existe algo de errado nelas, vale muito a pena ler a história para ver a construção desta percepção.




A respeito do personagem Yamato Yoshinaga, só consigo dizer que ele é muito, mais muito, apaixonante, pois existe uma complexidade nele bem gostosa de se observar (notaram como gosto de coisas não-superficiais, né?). Pois bem, apesar de ter toda a questão dele ser gay e ainda não ter conseguido dizer isso abertamente, conseguimos simpatizar com a sua situação quando ele apresenta seus motivos e mostra sua indecisão em aceitar seu gosto afetivo e conquistar pessoas por ser ele mesmo.

Gostando ou não, existe uma intolerância entre pequenos grupos com pessoas diferentes da sua realidade, por isso Tagura trabalhou essa questão no mangá usando a personalidade e a vida dos personagens para nos mostrar como isto é mais presente do que imaginamos. Apesar da tolerância em escala global, o preconceito e bullying entre grupos sociais menores ocorrem com frequência e fazem muitas pessoas se perguntarem: o que há de errado comigo? Por que não sou como eles? Por que preciso fingir que sou igual a eles?

É complicado falar sobre o assunto, pois existe uma opressão explícita e velada entre amigos, familiares e desconhecidos, por isso quando Yamato vê Yuiji como alguém que está tentando entendê-lo e principalmente ajudá-lo, começa a ter esperança de um dia assumir sua identidade sem perder nada. Yoshinaga está cansado de representar alguém para ser aceito na sua escola/família, ele se sente culpado por esconder de seus amigos mais próximos seus gostos e isso foi se acumulando até o sufocar. Ter alguém como Hasegawa para conversar foi um presente, pois assim novas oportunidades surgiram aos seus olhos.




Koimonogatari é um bom mangá para quem gosta de uma boa história, apesar de não ter sido concluído e só ter 5 (fucking) capítulos publicados no Brasil; vocês vão poder refletir e se entreter bastante com todos os personagens. Para aqueles que sabem um pouco de inglês, conseguiram traduzir para o idioma até o capítulo 11 e só consigo dizer que MUITA COISA ACONTECEU E EU TÔ IMPACTADA ATÉ AGORA COM ALGUMAS CENAS, mas é vida que segue.

Espero realmente que vocês leiam e percebam como existem narrativas diferentes para um mesmo gênero, abordar assuntos como a Tagura Tohru fez é importante para termos uma visão de mundo um pouco mais ampla. Não descartem esse mangá por ser shounen-ai, digo isso porque muitas pessoas têm uma ideia errada de histórias do gênero, mas se você não gosta de ler sobre relações homens, mesmo contendo um ótimo enredo, peço que passe longe.

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