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Akira - vol 1


Olá pessoal, aqui é o Kakeru17 e escrevo este artigo da cidade de Neo Tokyo, no ano de 2017. Direto do Estádio Olímpico trago uma notícia bombástica para vocês: AKIRA ESTÁ DE VOLTA!!!

Deixando a introdução climática de lado e falando do mangá, AKIRA é uma obra de Katsuhiro Otomo publicada na revista Young Magazine entre 1982 e 1990, rendendo 6 volumes, uma adaptação em filme animado de 1988 e diversos prêmios além de grande prestígio entre a crítica especializada e os fãs de quadrinhos do mundo todo.

A obra é tida como um clássico do estilo cyberpunk e é uma das mais conhecidas e influentes dentro e fora do Japão; não é à toa que esse ano foi lançada pela editora JBC em uma edição de colecionador, e é sobre o primeiro volume dela que falarei nesse artigo.

Não me atentarei a descrever a história aqui, focarei em comentar sobre o que li nesse volume e das minhas expectativas para os próximos. Sente-se na garupa dessa moto, segure-se firme e me acompanhe até a “Nova” Tokyo de dois anos no futuro!


A HISTÓRIA
AKIRA tem uma narrativa ágil e dinâmica que muito se assemelha a filmes de ação hollywoodianos, ele – ao menos nesse primeiro volume – se foca em desenvolver seus personagens em meio a constantes situações de conflito, tais como: perseguições de moto, tiroteios e conspirações.

Isso remete àquela velha frase: “Não fale, mostre”, e é exatamente isso que se pode ler no mangá. É uma história que ao pôr seus personagens contra a parede repetidas vezes vai trabalhando suas personalidades, enquanto aos poucos constrói uma trama maior, dando pequenas pistas sobre a direção que deve seguir, mas passando longe de se tornar previsível.

O fator sobrenatural apresentado é interessante, – as crianças especiais e seus poderes psíquicos – mas tem um background pouco trabalhado e por isso o que se destaca mesmo nesse começo são as gangues de motocicletas que acabam sendo tragadas para esse enredo por Kaneda de um lado e Tetsuo do outro.

Aliás, é Tetsuo – aquele que passa a desenvolver poderes psíquicos – que dá nome a esse primeiro volume, mas ele infelizmente é pouco desenvolvido – considero esse o único problema destacável da história até aqui e que espero que seja “corrigido” mais adiante – e aparece mais em momentos pontuais da trama.

Enquanto isso, quem brilha de verdade é Kaneda, que consegue cativar o leitor com seu atitude arrojada e carisma natural, sempre encontrando formas de sair das mais difíceis situações em que se mete, mostrando mais nuances da sua personalidade que caracteriza bem um “saudável delinquente juvenil” como ele gosta de chamar a si e a seus parceiros de gangue.

No final da história acabamos vendo Kaneda tentando parar Tetsuo, – que usou seus poderes psíquicos para dominar outra gangue de motocicletas – eles se confrontam e fica claro que há algum tipo de problema mal resolvido na amizade – que vem desde a infância – dos dois, o que suponho que deva ser trabalhado mais pra frente, dando base para a famosa frase que segue a obra: “Kaneda ou Tetsuo?”, por esse primeiro volume para mim é Kaneda, com certeza!

O AKIRA – que seria a criança com maior poder psíquico na história – teve seu “despertar” pouco trabalhado ao longo do volume, mas ficou claro que ele é temido por Shikishima – o militar que cuida dos assuntos relacionados ao caso – e que ainda deve ter um papel fundamental na história, já que não deve ser à toa que dá nome à ela.

Esse primeiro volume foi um constante “bater e correr” que rendeu ótimas cenas de ação e perseguição, mas que apenas começou a trabalhar os elementos da história sem, contudo, apresentar objetivos concretos para a maioria dos personagens. Acredito – e espero – que a partir do volume seguinte já nos deparemos com a definição de algumas coisas e revelações de detalhes que nos ajudem a entender melhor esse universo pós-terceira guerra mundial, assim como a direção que a história irá seguir.


O FILME
AKIRA foi adaptado para filme de animação em 1988, tendo direção do próprio autor, filme esse que usa apenas parte da história com diversas modificações e um final que até onde sei é original – já que vi o filme, mas ainda não li o final do mangá.

A obra cinematográfica é considerada um clássico que marcou muito a animação japonesa por apresentar uma qualidade técnica superior à das animações feitas na época, sendo até hoje grande influência nesse quesito. Inclusive, acho esse o ponto forte dele já que seu roteiro não é ruim, mas deixa bastante a desejar pela velocidade e forma como são apresentados os fatos, mantendo uma similaridade mínima com o mangá, mas tendo grandes diferenças na execução dos acontecimentos.

Se me perguntarem se indico o filme eu diria que o indico sem sombra de dúvidas, pois é uma belíssima obra no que tece aos quesitos técnicos, – animação, trilha sonora, dublagem, etc – e considero a melhor forma de adentrar no universo de AKIRA, já que ao ver o filme é mais fácil a pessoa criar interesse em ler o mangá e ver como a história se diferencia entre as duas mídias.


A EDIÇÃO
Por ser um clássico cultuado no mundo inteiro entre leitores, não só de mangás como também de quadrinhos em geral, AKIRA ganhou esse ano uma segunda edição brasileira lançada pela editora JBC, – a primeira foi lançada nos anos 90 pela editora Globo e foi adaptada para o formato de comics americano – dessa vez em um formato luxuoso com sobrecapa, forma de leitura oriental, páginas em preto e branco, – com algumas coloridas – papel lux cream e um tamanho de edição e número de páginas bem maior que o padrão para mangás.

A edição brasileira é a segunda – a primeira foi a francesa – de uma onda de relançamentos de AKIRA que teve o aval do autor; ele passou anos sem querer novos lançamentos de sua maior obra – além de seu empenho em restaurar e digitalizar o material do mangá.

Não é por acaso que o preço é de R$69,90, – bem maior que os preços que vemos no mercado de mangás do pais – o que ao meu ver acho justo pela qualidade da edição e a relevância da obra, além de que no próprio site da editora se pode comprar esse primeiro volume com frete grátis e 10% de desconto, – com direito a diversos brindes – e dá para encontrá-lo com descontos ainda maiores nos sites da Amazon, Fnac, Saraiva, etc – mas sem os brindes.

Só não tiro fotos da minha edição porque não sou muito bom em tirar fotos, – e não encontrei um lugar com boa iluminação para isso – mas posso dizer que esse primeiro volume foi uma das leituras mais prazerosas que fiz na vida, destacando o fato de que o mangá não tem divisão por capítulos, o que tornou a leitura mais fluida e me proporcionou uma maior imersão na história.

No que tece a tradução e edição de balões e notas, posso dizer que gostei bastante do trabalho apresentado, gostei da adaptação feita – tirando um ou outro termo que não achei muito bons, mas que não atrapalharam a leitura – e do tratamento dado às páginas coloridas assim como a capa e sobrecapa que ficaram ótimas.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse primeiro volume é uma edição que vale muito a pena para colecionadores de mangás, amantes do gênero sci-fi e toda e qualquer pessoa que se interesse por uma boa história. Não considero que existam “obras obrigatórias” de se ler, mas se houvesse, AKIRA com certeza figuraria fácil em qualquer top de quadrinhos obrigatórios por aí!

A má notícia sobre esse lançamento é que a editora divulgou que, por causa da demora na aprovação da edição por parte dos japoneses, os volumes devem sair no mínimo a cada seis meses, fazendo com que quem gostou da história e ainda não a leu – meu caso – tenha que esperar bastante para acompanhar a continuação. Em compensação, não vai pesar tanto no bolso ter no máximo dois volumes do mangá para comprar por ano.

Bem, fico por aqui e deixo a dica para vocês: corram mais rápido que uma moto em alta velocidade para ler AKIRA, não devem se arrepender!

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