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Indicação: Mahoutsukai no Yome - A Magia entre a Forma e o Conteúdo


Mahou Tsukai no Yome é um mangá publicado desde 2013 na revista Comic Garden, ele conta com 8 volumes lançados até o presente momento, é de autoria de Yamazaki Kore e possui uma adaptação em anime marcada para estrear em outubro – além de 3 OVAS já lançados.

O anime já tem a sua transmissão no Brasil confirmada pela Crunchyroll, que inclusive também já trouxe os OVAS – esses que são histórias originais que podem ser encaixados em um ponto mais à frente do mangá. Nesse artigo comentarei um pouco sobre a obra em si, sobre as minhas impressões dela, o que esperar da sua adaptação em anime e até indicar que comprem o mangá, que já teve seu lançamento em solo brasileiro anunciado pela editora Devir. Ele ainda não tem data de publicação definida, mas tem boas chances de ter seu primeiro volume saindo ainda este ano.

E o que esperar de Mahou Tsukai? Primeiro vamos dar uma olhadinha na sinopse da obra que traduzi e adaptei direto do Myanimelist:

Hatori Chise tem apenas 16 anos, mas ela já perdeu muito nesse pouco tempo. Sem família ou esperanças, parece que todas as portas estão fechadas para ela. Mas um encontro ao acaso começa a mover as rodas enferrujadas do seu destino. Em seu momento de maior aperto, um mago misterioso aparece diante dela, oferecendo-lhe uma chance que ela não poderia recusar. Esse mago parece mais próximo de um demônio que de um humano, ele a levará a luz que ela tanto busca, ou a afundará em sombras ainda mais profundas?

Sim, pelo que podemos supor pela sinopse a história apresenta uma boa carga dramática, só que o mangá trabalha ela de uma forma a favorecer a compaixão do leitor em um primeiro momento, não a pena, e posteriormente certa admiração pela forma como a protagonista Chise passa a encarar a vida mesmo a princípio tendo dificuldades de socialização e um histórico de tantas dificuldades e sofrimento. Para se ter uma ideia, o mangá começa com ela sendo vendida em um leilão de escravos por ser uma Slay Vega – alguém que tem uma grande afinidade com magia e que consegue ver e falar com seres mágicos –, algo que poderia render uma situação dramática, mas acaba servindo para apresentar o personagem Elias Ainsworth e causar uma reviravolta na vida da garota.


Elias é um mago bem velho e muito poderoso que possui uma aparência um tanto quanto peculiar – vocês podem ver pelas imagens na postagem – e compra a jovem Chise, tomando-a como sua aprendiz. A relação deles se desenvolve a partir daí, com ela se mudando com ele para uma pacata casa ao Leste de Londres e de lá começando a aprender mais sobre magia e os seres que vivem em torno dela, assim como descobrindo mais características peculiares a si.

O interessante dessa história é que toda a sua base é de um slice of life com drama e até uma pitada de romance – sim, ela e seu mestre devem desenvolver uma relação romântica em algum momento, apesar de ainda estarem engatinhando nesse sentido até a parte em que eu li –, mas ele não fica só nisso. Além de trabalhar com o gênero de fantasia a obra também apresenta pitadas de mistério e terror já em seus primeiros capítulos, de forma a não só desenvolver casos pontuais como também a solidificar sua construção de mundo através disso. Construção essa que já pelo começo do mangá se mostra um de seus pontos fortes, sendo feita de forma gradativa e causando um constante interesse do leitor em saber mais sobre aquele mundo mágico.

Outro ponto forte são seus diálogos, nem sempre sendo previsíveis ou clichês, mas também nem sempre tentando se mostrar intelectuais ou complicados. É como se o autor entendesse que não precisa passar um ar de sofisticação a toda hora para contar uma excelente história, mas sim manter uma base sólida quanto a escrita que permita ser simples quando tiver que ser e ser mais bem trabalhada quando necessitar. É exatamente isso que justifica o título desse artigo, a forma como Mahou Tsukai consegue aliar uma ótima forma a um ótimo conteúdo, e daí extrair carisma de seus personagens, mas isso dento de uma tendência crescente, pois o mangá não tem pressa para desenvolver personagens e fazer você se importar com eles.

Outro ótimo ponto da obra são seus personagens, pois o autor sabe construí-los e usa bem as primeiras “aventuras” que a Chise vive ao lado do Elias para ir “abrindo” a personagem, mostrando seu crescimento no âmbito pessoal e também no que tece aos seus poderes. Seu mestre e "noivo" Elias também não fica atrás, pois aos poucos vamos conhecendo mais da sua personalidade, a sua forma de lidar com as coisas e até recebendo pistas sobre seu passado e suas intenções para com a Chise. Confesso que a sensação que tenho é de que o final desse mangá pode ser bem triste e extremamente tocante exatamente por estar desenvolvendo esses dois personagens para fazer com que nos afeiçoemos a eles e torçamos para que sejam felizes por acharmos que eles merecem isso.


Não posso deixar de citar o belo traço e a boa distribuição de quadros que o mangá tem, o autor mostra constantemente que sabe “polir” bem a sua obra, se preocupando em buscar o equilíbrio entre o traço, os diálogos e a estética daquele mundo envolto em magia. É como se ele quisesse mostrar que há magia também na forma, que a sua intenção é fazer com que o leitor passe a imergir naquele mundo alternativo sob o ponto de vista da Chise que, quase tanto como nós, também é uma “marinheira de primeira viagem” quanto a tudo aquilo.

Mahou Tsukai no Yome não é um mangá de soluções fáceis e enredo previsível, mas também não é um mangá que quer parecer mais do que é, que quer se mostrar culto e voltado para um público restrito. A obra em si busca ao máximo ser apreciável para todos os tipos de público, sem, contudo, apelar para fórmulas fáceis e batidas, mostrando que tem personalidade o suficiente para imprimir seu próprio ritmo e qualidade para conquistar o leitor e fazê-lo encontrar algo de valor naquilo que está lendo. Se repararem bem, não me atentei a discutir mais profundamente a obra exatamente porque a indico para todas as idades e gostos e acho que a melhor opção para o leitor nesse caso é “experimentá-la” para ver o que ele acha, o que é ainda mais indicável agora que ela terá o seu anime.

Acredito que ambas as formas de se introduzir na obra sejam válidas. Creio que muitos dos que darão uma chance para o anime gostarão o suficiente para começar a ler o mangá e que todos que já o acompanham vão querer ver se a história de Chise e de Elias consegue ser tão boa animada quanto é no papel. Posso garantir que sou um daqueles que está torcendo muito para a adaptação ser um sucesso e indico de coração que deem uma chance para essa história.

O anime será comentado episódio a episódio na Anime21 e posteriormente devo falar sobre o mangá de novo quando tiver seu volume nacional em mãos. Torço para que deixem a magia de Mahou Tsukai no Yome entrar em suas vidas, garanto que são boas as chances de ser uma experiência construtiva regada a muitas outras boas emoções.


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