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Resenha: Kamisama Hajimemashita - Uma história simples sem ser simplória




Para início de conversa, meu nome é Bruna, e de agora em diante estarei com vocês junto com a equipe do mangá21. Esta é a minha primeira vez escrevendo para um blog e, apesar de praticar escrita inventiva em sites aleatórios com histórias bizarras, esta é uma experiência nova que estou abraçando fortemente. Espero poder apresentá-los ou reforçar algum desejo de leitura por aqui, então, vou nos considerar quase-mais-ou-menos-nem-tanto-assim amigos nesta fase inicial do blog (e posteriormente também, se Itachisus Christ quiser).

Pelo fato de estar iniciando esta jornada com o grupo, irei começar falando sobre um mangá que me encheu de amores e me causou histeria em certos momentos (culpa de alguns personagens que estavam pisando no meu coração, mas segue o baile). Vocês já devem ter se deparado com o anime Kamisama Hajimemashita, certo? Pois bem, estarei falando sobre aquele amontoado de capítulos maravilhosos que deram origem à adaptação e tentar convencê-los a ler.

O mangá é uma comédia romântica de fantasia, cuja leitura é leve e divertida, vocês não precisam pensar demais, e é algo relaxante para a mente (ela também precisa descansar né). A história é sobre uma colegial chamada Nanami Momozono que acaba sendo despejada de sua casa devido às dívidas de seu pai. Em meio a está fatalidade, quando estava sentada na praça sem ter para onde ir, a garota encontra um homem preso numa árvore fugindo de um cachorro. Após dispensar o animal eles conversam brevemente e é quando a protagonista fala de sua situação.

Mikage, o rapaz, simpatiza com a história de Nanami e oferece sua casa como uma forma de gratidão por tê-lo salvado, assim como uma oportunidade dela ter um lugar para ficar. Não tendo muitas opções, Momozono segue as instruções do estranho e chega até um templo que, aos seus olhos, parecia inabitado e sombrio demais. Desconhecendo a identidade do sujeito, Nanami recebe de Mikage o selo do Deus da Terra e a partir daquele momento a garota se torna uma divindade, sendo auxiliada pelo espírito da raposa Tomoe e os residentes do santuário Onikiri e Kotetsu.

Pelo fato do mangá já ter finalizado, acredito que vocês não terão muitos problemas para encontrá-lo online ou físico. Com 25 volumes e 154 capítulos publicados, podemos enxergar uma grande evolução nos personagens e nos entreter no universo em que se passa a narrativa. Arrisco dizer que é de certa forma cativante e inteligente a maneira com que Julietta Suzuki conseguiu construir o plot e deixá-lo confortável para os personagens crescerem com pequenos atos.

Como um bom shoujo, temos um clichê bem tranquilo de ser lido e ele vem acompanhado de uma dose de humor muito bem construída para respeitar as personalidades e o passado de cada personagem. Por mais que eu tenha dito que a narrativa não exige muito do leitor, é preciso ressaltar a forma como os caminhos dos envolvidos vão se atrelando enquanto eles crescem diante disso. Os personagens não são incríveis ou têm algo que os façam serem melhores do que muitos por aí, porém existe uma simpatia e uma pequena complexidade que não podemos ignorar.




Vocês, ao lerem o mangá, vão se deparar com uma protagonista ingênua em determinados momentos, infantil em algumas situações, desastrada quase sempre, teimosa e lerda várias vezes, mas sem dúvida com personalidade forte e pura quando entende seu papel como divindade. Talvez no início ela pareça uma típica personagem que ficará sofrendo por um amor nem-tanto-assim correspondido e levando chutes da vida a cada capítulo, mas se vocês prestarem atenção poderão observar como a Nanami não é alguém simplória.

Para ser franca ela está muito longe disto, tanto que a garota compreende o significado de ser um Deus da Terra com toda a bagagem que isso traz, mesmo tendo o Tomoe lhe dizendo centenas de vezes para deixar as coisas difíceis consigo e quase sempre – principalmente no começo – mostrando que ela é uma humana sem capacidade alguma para ter o título de Deus, a jovem levanta a cabeça e tenta fazer o melhor que pode em cada situação.
     
A Nanami é movida pela capacidade daqueles ao seu redor de se esforçarem. Podemos dizer que a jovem tem que mostrar que está no mesmo nível ou que está trabalhando para ser tão boa quanto eles não importando a situação. Quando a colegial vê seu servo divino cuidando de todo o templo sem pestanejar ela sente que precisa mostrar serviço aprendendo, de início, a usar os talismãs de papel.
     
A partir do momento em que conhece a personalidade terrível do artista/corvo Kurama e depois deste ter machucado o rosto ao ser perseguido pelo Tomoe na escola, ela cuida de seu ferimento por saber que existem pessoas que gostam da música dele e estão se esforçando para mostrar tal coisa.
    
No instante em que se depara com a princesa do pântano, Himemiko, e seu amor nutrido há dez anos por um humano, compreende o quanto deve ter sido difícil estar naquela situação por tanto tempo e, por mais que ainda fosse fraca e inexperiente, precisava ajudá-la já que este é seu trabalho como divindade. No capítulo no qual é sequestrada pelo espírito da cobra solitário, Mizuki, enxerga sua dor em não poder mais ver sua mestra e se dispõe a vê-lo quando a solidão bater.
     
Estes momentos citados são poucos comparados àqueles que vocês poderão encontrar no mangá, mas o ponto que eu quero chegar é de que a Nanami não pode ser taxada tão facilmente sem conhecer sua história e aquilo movendo-a incansavelmente. É óbvio que muitas de suas atitudes não mensuram as consequências e isso causa mais dor de cabeça do que deveria, porém é nesses momentos que o humor entra para apaziguar as coisas e manter a história gostosa de se ler.
     
Tenham em mente que a personagem cativa e é cativada por aqueles que interagem com ela, tanto que no final do mangá, quando acontece seu casamento com o Tomoe, todos os personagens que ela se deparou estão lá para prestigiá-la no início de uma nova vida. Porém, antes de mais nada, podemos ver a capacidade de Nanami em construir amizades sólidas entre humanos e espíritos, reunindo espécies diferentes em um único local simplesmente para se despedir.
     



A  respeito do segundo protagonista, Tomoe, não podemos deixar de lado a sua evolução como servo divino e o desenrolar de seus sentimentos para com Momozono. O familiar era uma raposa selvagem que atormentava o mundo humano séculos atrás junto com um youkai chamado Akura-ou. Em um determinado momento ele se apaixona por uma mulher, Yukiji, e todos os pensamentos malévolos são abandonados em prol dela. A jovem morreu, como era de se esperar, deixando a raposa perdida e atordoada até este encontrar o Deus da Terra, Mikage; a divindade selou sua mente em relação ao seu passado fazendo-o virar seu familiar.
     
Apesar de todas as reviravoltas e o abandono – se é que podemos chamar assim – do Deus, Tomoe se mostra com uma personalidade tsundere e muitas vezes chegamos a ter raiva dele por algumas atitudes imbecis. Deixando isso de lado, vamos nos atentar em como este personagem passa de alguém que podemos considerar comum para um ser complexo. Eu digo isso em decorrência das demostrações pequenas de sua mudança após a chegada de Nanami. Talvez não somente por ela e sim a somatória de ações daqueles com quem se deparou durante a sua vida.

     


Tomoe tinha um laço forte de amizade com o Akura-ou, pondo terror ao mundo humano enquanto criava sua reputação. Em um dos capítulos em que a Nanami volta ao passado por conta da possível morte de seu familiar (muitas coisas aconteceram, então não se espantem com esse comentário), é apresentado uma faceta da raposa que tivemos apenas vislumbres.
     
Gostando ou não, quando Tomoe se apaixona pela Yukiji (na verdade não é bem assim, mas ao ler o mangá vocês vão entender), ele deixa de pensar em somente aterrorizar humanos e enfurecer deuses, pois a vida e o pensamento da humana se tornam mais importantes. Tirar a vida de humanos mesmo com um propósito não é algo que ele possa fazer, pois começou a amar uma mulher desta espécie e faria de tudo para que ela não o olhasse com medo e sim com carinho e amor.
     
Sua amizade com Akura-ou fica visivelmente abalada depois disso, tanto que o youkai tentou matar a jovem para continuar tendo Tomoe ao seu lado. Não sei como vocês poderão interpretar isso, porém Akura-ou deixou apenas a raposa ficar ao seu lado não pelo fato dele ser forte, mas por ele ser leal e por oferecer um amor de irmão que nunca teve. Então, quando Tomoe decide que a vida de Yukiji está acima disso o demônio enlouquece por estar perdendo um vínculo importante. 
     
A amizade construída entre eles foi tão grande que nos volumes finais do mangá, quando eles vão para o mundo dos mortos e Akura-ou morre, os pensamentos do Tomoe junto com sua expressão de estar perdendo um irmão é bem impactante. Existem muitas controvérsias entre esses dois personagens, mas em nenhum momento, apesar da raiva, eles se deixaram esquecer daquele vínculo que criaram.


Depois de 500 anos, conforme o Tomoe fica no templo de Mikage ele aprende a se portar como um familiar e cria novos laços de amizade mesmo não percebendo, talvez por isso a raposa é tão ligada ao Deus que lhe deixou durante vinte anos, pois a divindade o salvou e lhe deu uma nova chance.
     
Pensando nisso, a partir do momento em que Nanami entra na sua vida não existe outra forma a não ser se relacionar com todos aqueles que ela vai conquistando ao longo do tempo, para não ficar sozinho. Tomoe ficou muito solitário com o desaparecimento de Mikage, então, para não correr o risco de passar por todos aqueles dias em silêncio se dedica a estar do lado da nova divindade. Graças a isso, ele descobre que seus ideais sobre humanos não são verdadeiros, assim como percebe o quão importante são aquelas pessoas que Momozono conquistou.
     
Uma das coisas mais cativantes que encontrei no mangá foi a forma como os personagens criam laços a partir de pequenas coisas. Como vocês devem saber, a evolução de qualquer coisa é gradual, Suzuki conseguiu trazer esta característica para o mangá e aplicar em cada personagem que aparecia, fazendo-os interagir e se tornar algo a mais.
    
É muito gostoso você ver todos tomando iniciativas a partir de frases lançadas pela Nanami, assim como é satisfatório ver a protagonista tirar lições boas das ações dos outros. Isto fez a personagem caminhar durante todos os capítulos, ela foi adicionando cada ensinamento na sua vida e foi despejando seus ideais para os outros. Houve uma troca de vivências que a fizeram crescer sem deixar sua personalidade morrer.
     
Gostando ou não, Kamisama Hajimemashita é um mangá que trata, antes de tudo, de uma demostração de que pequenas coisas podem se tornar grandes quando somadas, nós estamos acostumados a ver todas as representações destes personagens em outros, mas o que acontece neste em especial é a protagonista ser uma heroína ingênua e inocente de coração, que acabou por conquistar pessoas e deixar se conquistar por elas.

O que vocês vão enxergar no mangá é que todos aqueles que começaram a seguir a Nanami, não foi pelo fato dela ter o selo do Deus da Terra, mas sim por ela ser simplesmente Nanami Momozono.




Okay, eu falei demais e aqueles que leram até aqui são guerreiros. Espero que a partir desta resenha vocês possam ler esta obra da Julietta Suzuki com a mente aberta e os olhos atentos, o mangá é realmente bom e vocês irão se divertir bastante com vários acontecimentos contidos nele.


Ficha técnica:

  • Kamisama Hajimemashita – Kamisama Kiss
  • Editora: Viz Media
  • Coleção completa em 25 volumes
  • Autora: Julietta Suzuki
  • 12,7 x 19,1 cm
  • Capa comum
  • 200 páginas
  • Preto e branco

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